A Via Sacra de vosso Filho prolonga-se nos nossos jovens

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A Via Sacra de vosso Filho prolonga-se nos nossos jovens

O terceiro dia da Jornada Mundial da Juventude Panamá 2019 continuou cheio de encontros e orações! Pelas ruas os peregrinos animados dão cor e voz à cidade, com suas bandeiras e músicas.

O Parque da Juventude foi um dos pontos de encontro, não só com outros jovens, mas também com Deus, através do sacramento da reconciliação – no Parque do Perdão – e da adoração ao Santíssimo Sacramento, exposto 24 horas por dia na Tenda do Encontro, onde também está a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Milhares de jovens rezaram e se divertiram com as variadas atividades presentes no parque.
Outro ponto de encontro foram as catequeses que estão acontecendo todas as manhãs em diversas paróquias da cidade. Para os falantes de língua portuguesa foi um dia especial: o encontro dos peregrinos portugueses - realizado na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes - tornou-se uma grande festa com a presença de angolanos e brasileiros. Para a celebração eucarística, o altar foi decorado com as bandeiras dos três países, em um clima de acolhida e integração.
Durante a homilia, no dia em que a Igreja celebra a Festa S. Paulo, Dom Manuel Clemente - Cardeal Patriarca de Lisboa - lembrou a conversão deste apóstolo como um dos mais fortes exemplos da entrega total a Deus. “A conversão é isto mesmo, é ficarmos tocados pela vida entregue de Jesus Cristo e entregarmos, por Ele, a nossa vida também à causa de Deus e do Evangelho”, disse o cardeal português.
Já para o Santo Padre, o dia começou com a visita ao Centro de Reabilitação de Menores “As Garças”, situado a cerca de 50 km da Cidade do Panamá. Lá, o Santo Padre celebrou a liturgia penitencial junto aos jovens, para os quais falou de esperança e mudança de vida: “Jesus não tem medo de se aproximar daqueles que, por inúmeras razões, carregavam o peso do ódio social”. Animou-os a não se deixarem abater pelos adjetivos que muitas vezes lhe são impostos pela sociedade, assim como a superá-los lutando por formas dignas de retomarem suas vidas: "Amigos, cada um de nós é muito mais do que os rótulos que nos dão".
Os jovens que participaram seguiram uma preparação espiritual durante os últimos meses para poder viver plenamente este encontro com Cristo e com o Santo Padre. Embora já tenha visitado locais como este, esta foi a primeira vez que o Papa celebrou a liturgia penitencial junto a menores infratores. O momento emocionou a todos: muitos jornalistas choraram e partilharam depois o quanto foram tocados ao sentir que também eles podem ser transformados pelo amor de Deus.
A comunhão com os excluídos e os que sofrem continuou presente durante o último evento do dia, a Via Crucis, celebrada no Campo Santa Maria La Antigua (Cinta Costera).
Milhares de pessoas acompanharam as 14 estações que foram inspiradas em estações compostas por São João Paulo II para os exercícios espirituais, que, como cardeal arcebispo de Cracóvia, dirigiu-se ao Papa Paulo VI e à Cúria Romana em 1976, no Vaticano. As meditações foram originalmente publicadas com o título emblemático: “Signo de contradicción” (“Sinal de contradição” publicado em espanhol, BAC, Madrid 1978) e nos lembra que, apesar das cruzes que todos carregamos, acima de tudo temos que ter a coragem de enfrentar, assim como Maria fez ao dizer: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.
As estações expressaram, assim, as cruzes que nossa sociedade enfrenta, cruzes atuais que mostram que a Igreja é a grande “guardiã” da esperança e o papel que a juventude tem nisso tudo. E esta esperança foi expressa na voz de jovens de 14 países da América Latina, vestidos com roupas típicas de suas culturas. Um a um, Honduras, Cuba, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Venezuela, Haiti, Brasil, República Dominicana, Colômbia, Porto Rico, Estados Unidos, México e Nicarágua subiram ao altar e apresentaram as dores do mundo junto à Cruz do Senhor.
O mar de jovens de todo o mundo que acompanhou a Via Crucis respondia a todas as invocações com força e fé, enquanto as milhares de bandeiras, dos 156 países aqui representavam nos lembravam que os sofrimentos citados tocam a todos, porque somos irmãos: violência, injustiça, corrupção, discriminação contra pobres e mulheres, a crise de imigração, o cuidado com a criação e a opção pela vida desde a sua concepção foram algumas das preces apresentadas em cada uma das estações, sempre pedindo a intercessão de nossa Mãe, Maria.
Assim, a Via Crucis e o terceiro dia foram encerrados com a mensagem do Papa Francisco a fim de construirmos o reino do amor, “ensinai-nos, Senhor, a estar ao pé da Cruz, ao pé das cruzes; ensinai-nos a dizer: estou aqui juntamente com o vosso Filho, juntamente com Maria e tantos discípulos amados que desejam acolher o vosso Reino no seu coração”.
Depois da Via Crucis, novamente as bandeiras tomaram conta da cidade! Cheios da força do Senhor, nos espalhamos para levar a certeza do Cristo Ressuscitado a todos os lugares!