Jovens indígenas compartilhando seus desafios e esperanças a partir da fé

Imagem de Nossa Senhora de Fátima é recebida no Panamá
janeiro 22, 2019
Comunidade judaica acolhe peregrinos na JMJ 2019
janeiro 22, 2019

Jovens indígenas compartilhando seus desafios e esperanças a partir da fé

Jovens indígenas compartilham seus desafios e esperanças a partir da fé

Com o lema "Assumimos a memória do nosso passado para construir com coragem a esperança", de 17 a 21 de janeiro, em Soloy, comarca de Ngäbe-Bugle, Panamá, se realizou o Encontro Mundial da Juventude Indígena. Esse encontro reuniu centenas de jovens de países como Panamá, Guatemala, Brasil, México, Peru, Bolívia e Honduras.
Trata-se de uma verdadeira festa de fé e alegria, centrada em Jesus Cristo a partir da riqueza das culturas indígenas. Além disso, é uma oportunidade para partilhar os desafios e esperanças dos jovens indígenas do mundo.

A grande surpresa: a mensagem do Papa Francisco

Uma grande surpresa para os jovens indígenas foi a mensagem em vídeo que o Papa Francisco lhes dirigiu, na qual os encorajou a celebrar a fé em Jesus Cristo com alegria: “Felicito-os porque é a primeira vez que uma reunião da pré-Jornada é organizada especificamente para jovens de povos indígenas, de povos simples todo o mundo. Quero agradecer a iniciativa Seção Pastoral Indígena da Conferência Episcopal do Panamá, apoiada pelo CELAM.

Queridos jovens, convido-vos para que este encontro, capaz de reunir centenas de jovens de diferentes povos indígenas, sirva para refletir e celebrar sua fé em Jesus Cristo a partir da antiga riqueza de suas culturas nativas.

Exorto-vos para que seja uma oportunidade de responder ao convite já feito para a juventude em outros momentos, para ser grato pela história de seu povo e corajosos, para enfrentar os desafios em torno deles, para seguir em frente cheios de esperança na construção de um outro mundo possível.

Voltar às culturas de origem

Responsabilizar-se pelas raízes, pois das raízes vem a força que os fará crescer, florescer e dar frutos.

Deve ser também uma forma de mostrar a face indígena da nossa Igreja no ambiente da JMJ e afirmar o nosso compromisso de proteger a Casa Comum e colaborar na construção de um outro mundo que seja possível, mais justo e mais humano.

Sem dúvidas, os temas que, servem como objeto da vossa reflexão, estimulam a busca de respostas do ponto de vista evangélico, a tantas e tão escandalosas situações de: marginalização, exclusão, abandono e empobrecimento as quais condenam milhões de jovens, especialmente jovens dos povos originários do mundo.
Que a vossa ação, a vossa consciência de pertencimento aos vossos povos, seja uma reação contra esta cultura do descarte, contra esta cultura do esquecimento das próprias raízes, projetada para um futuro cada vez mais líquido, mais gasoso, sem fundamentos. Meninos e meninas, tomem conta de suas culturas! Cuidem de suas raízes!
Mas não fiques aí parado, enquanto essas raízes crescem, florescem e frutificam. Um poeta disse que tudo o que floresce numa árvore vem daquilo que está embaixo da terra: as raízes, mas as raízes tomadas para o futuro, projetadas para o futuro.

Esse é o seu desafio hoje. Será um prazer para mim encontrá-lo no Panamá, e enquanto não chega esse momento, vos desejo o melhor de todo sucesso e vos dou minha bênção", concluiu o Santo Padre.

Lema

No final da JMJ em Cracóvia, o Papa Francisco convidou os jovens voluntários a serem "a esperança do futuro", mas recordando-lhes que para ser esperança, é fundamental primeiro ter memória: "memória do meu povo, memória da minha família, memória de toda a minha história".

No final da JMJ em Cracóvia, o Papa Francisco convidou os jovens voluntários a serem "a esperança do futuro", mas recordando-lhes que, para ser esperança, é fundamental primeiro ter memória: "memória do meu povo, memória da minha família, memória de toda a minha história".

Por isso, a juventude indígena propôs o lema: "Assumimos a memória do nosso passado para construir com coragem a esperança".

O Tema

O primeiro dia do encontro enfocou a memória viva de nossos povos, a Palavra sagrada e as tradições que orientam o caminho a seguir. Em sintonia com o Evangelho, os avós ajudam a viver orgulhosamente a identidade indígena a partir dos valores e tradições que foram recebidos como herança e bênção de Deus.
O segundo dia enfocou a luta para manter a harmonia com a Mãe-Natureza partir da riqueza das nossas culturas à luz da Laudato Si'. No terceiro dia, o foco esteve na importância da participação ativa da juventude indígena na construção de outro mundo possível, oferecendo às nossas comunidades e ao mundo, nossos talentos como jovens indígenas, para promover o "viver Bem" e tornar mais evidente o Reino de Deus entre nós.

A dinâmica diária

Cada dia começou com um alegre momento de animação, canção, música e dança. Posteriormente, houve um momento importante de encontro com Cristo através de orações e cantos nas diversas línguas, enquanto cada delegação colocou um símbolo sobre um altar que resume a memória e a identidade dos nossos povos. Depois da oração se desenvolve o tema do evento. É importante destacar que após cada tema houve momentos de partilha, nos quais cada jovem têm espaço para se expressar e escutar os outros.
No primeiro dia, a senhora mexicana Fátima González, da Prelazia de Nayar, partilhou que se sente muito orgulhosa de pertencer a uma prelazia onde existem cinco culturas indígena. Ela relata: “o que me ajuda a ser mais humilde e a relacionar-me com as pessoas, indo às Páscoas em lugares onde existem povos indígenas. Nós, mexicanos aqui presentes, estamos muito entusiasmados porque esta é a primeira JMJ que participamos e isso nos motiva a buscar novas maneiras de envolver mais jovens indígenas a aproximar-se de Deus.” Após o meio-dia, aconteceu o festival, no qual houve atividades como mini-peregrinações, jogos ancestrais, esportes, atividades ecológicas, entre outras. À tarde houve eventos culturais organizados pelos povos panamenhos Ngäbe, Bugle, Naso e Bribri e povos dos países do norte no primeiro dia.

Os povos Guna, Emberá, Wounaan e aqueles dos países do sul organizam o segundo dia.

Jovens peregrinando

No sábado 19, os jovens indígenas partiram às 4h da manhã em peregrinação ao Cerro Viejo, entre cantos e louvores. Às 5h30 houve uma oração para receber o sol, que é importante para os povos nativos. No domingo à tarde, houve missa de encerramento com um ritual Emberá de purificação durante a entrada da missa. Além disso, a celebração também contou com cantos, e leituras nas várias línguas e o rito de envio dos vários países para a JMJ.

Dados interessantes:

● Este é o primeiro encontro de jovens indígenas de todo o mundo;

● Mais de 360 jovens de 7 países participaram deste encontro;

● A organização começou há dois anos;

● Os jovens participantes chegaram mais cedo do que o esperado devido a alegria deste primeiro encontro;

● Soloy fica a 430 quilômetros da Cidade do Panamá;

● A missa de encerramento foi presidida pelo Cardeal José Luis Lacunza, que esteve presente no início do encontro e deu as boas-vindas aos participantes.

Outras informações importantes

Este ano de 2019 foi declarado pelas Nações Unidas como o "Ano Internacional das Línguas Indígenas".

O objetivo é "chamar a atenção para a grave perda dessas línguas e a urgente necessidade de preservá-las, revitalizá-las, promovê-las e adotar novas medidas urgentes em nível nacional e internacional".

O Documento de Aparecida cita os povos indígenas em várias ocasiões, mas particularmente do número 88 ao 96.

Além disso, chama os jovens indígenas a serem evangelizadores sem perder a sua identidade, no número 325: “Os jovens provenientes de famílias pobres ou de grupos indígenas requerem uma formação inculturada, isto é, devem receber uma adequada formação teológica e espiritual para o seu futuro ministério, sem perder as suas raízes.

Dessa maneira, podem ser evangelizadores próximos dos seus povos e culturas”.