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dezembro 11, 2018
Quando tinha 15 anos, escutei alguns jovens que se nomeavam “peregrinos” durante os avisos paroquiais da missa. Muito tempo depois, na mesma paróquia, no mesmo banco, durante a missa, voltei a escutar: “Irmão, viemos em nome da Delegação de Peregrinos da Paróquia pedir a sua ajuda...”. Meus ouvidos escutaram o restante, mas minha alma saltou naquele instante e disse “Eu quero ser peregrino!”. A JMJ de Madrid me esperava.
Participei daquela jornada como único representante da Comunidade Católica Nova Aliança de El Salvador e prometi a Deus que na próxima JMJ levaria outros jovens da comunidade.
Assim foi. Para a JMJ Rio 2013, nosso grupo cresceu. Fomos sete os escolhidos que fizemos a viagem e, apesar de termos algumas dúvidas, foi mais forte a imagem de nos reunirmos em torno de Jesus junto de milhões de jovens e do Papa Francisco.
Brasil foi nosso segundo lar durante a Semana Missionária (Dias as Dioceses). Cada família que nos acolheu deixou em nós uma marca indelével. Minha experiência naquela semana foi linda. Minha família brasileira me recebeu com um amor que, até hoje, não posso entender nem explicar. Contudo, o mais belo foi como tudo aconteceu.
Antes de começar a semana das atividades principais da JMJ, a emoção era latente. Pouco a pouco o Rio de Janeiro foi ficando cheio louvores, música e muito amor de Deus. Só que nunca imaginei o que aconteceria. Saindo da Catedral de Petrópolis, tropecei nas escadas e caí. De emergência, com a ajuda de meus irmãos peregrinos, fomos ao hospital mais próximo. O diagnóstico foi uma fratura no tornozelo direito.
Passaram as horas e eu não consegui entrar em contato com ninguém do meu grupo. No hospital, Deus me enviou um anjo vestido de sacerdote que se apiedou do meu caso e me ajudou com os gastos e com a organização. Era quase meia-noite quando finalmente encontrei meus irmãos de comunidade. De longe vi se aproximar uma de minhas melhores amigas que, ao me ver com o gesso e afetado por tudo o que aconteceu, apenas me abraçou. Em meio a esse abraço, comecei a chorar como nunca e disse apenas “Glória a Deus! Glória a Deus! Glória a Deus!”.
Na manhã seguinte encontrei o presente mais lindo que já me deram. Minha família brasileira durante a Semana Missionária viajou quatro horas para me levar uma cadeira de rodas e um par de muletas, e assim eu não teria problemas para participar da Jornada. Durante aqueles dias aprendi o valor do serviço e como se manifesta o verdadeiro amor do peregrino, que transcende barreiras e fronteiras.
Este é o meu testemunho. Entendo que a JMJ não é mais uma viagem; é um projeto que surpreende e que nunca é o mesmo, onde todos somos um e onde Ele se manifesta em nós. Agora somos 25 pessoas que se preparam para estar no Panamá.
Rodrigo Oviedo, El Salvador