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Nunca fui a uma Jornada Mundial da Juventude. Minha primeira lembrança delas é ter escutado na televisão “Panis Angelicus” durante a Missa de Abertura no Rio de Janeiro, em 2013. Entre muitas bandeira, balançava uma da Costa Rica. Caíram algumas lágrimas. Fazia pouco tempo que eu estava redescobrindo a minha fé católica, assim como o processo vocacional, e via pela televisão milhares de jovens que estavam reunidos porque conheciam o meu melhor amigo, esse distribuidor de aventura que se chama Jesus de Nazaré. Quando alguém vê tanta gente, o mais forte é a sensação de que os amigos de Jesus são muitíssimos, que esta família, a Igreja, é enorme, que este amor que sentimos é maior que todas as fronteiras culturais, sociais e políticas, que não é uma ideia abstrata que nos move, mas uma experiência densa de encontro com uma pessoa que não nos deixa parados e nos leva a desejá-lo mais.
Em Cracóvia estive muito perto, literalmente. Estava com a minha família na Alemanha, mas por diversas circunstâncias não pude ir à Jornada. Convivi em Berlim com alguns amigos que iriam como peregrinos e lembro de me despedir deles e tomar com lágrimas nos olhos o trem que me levaria a Leipzig, onde estava minha família. Sentia que estava perdendo algo grande demais. Entendi e aceitei. Naquele momento, minha peregrinação mais importante era estar com a minha família.
Ainda que já houvesse rumores muito fortes, a notícia oficial de que a Jornada seria no Panamá surpreendeu da mesma forma. O maior evento da Igreja e da juventude aconteceriam na casa de meu vizinho. Nunca pensei em viver esta Jornada como estou vivendo neste momento, como voluntário internacional, tendo a experiência de viver essa universalidade de nossa Igreja meses antes; de dentro, trabalhando e dando um pouco para que evento seja o mais enriquecedor para os peregrinos e voluntários.
Meses antes de vir como voluntário ao Panamá, dirigia a comunicação dos Dias nas Dioceses Costa Rica, e com isso percorri todo o país junto aos símbolos com que João Paulo II presenteou os jovens, a Cruz Peregrina e o Ícone de Salus Populi Romani, para fazer a cobertura fotográfica e audiovisual. Foram quase dois meses viajando pelas 8 dioceses do meu país, com uma mochila e minha equipe de audiovisual, conhecendo muitas paróquias, muitos jovens desejosos de converter-se em protagonistas de suas comunidades, dando tupo pela Igreja e por Jesus, e sendo recebido como peregrino e acolhido com carinho.
Alguém que me disse que depois de um tempo eu ficaria entediado, mas não foi assim. Cada experiência era muito diferente. Tantos jovens refletidos naqueles símbolos, suas próprias cruzes, seus sonhos, tudo o que carregam em suas vidas: conseguiam ver o abraço de acolhida de Maria, que nos traz a Salvação; se sentiam unidos a um projeto maior que eles, a universalidade da Igreja - uma casa aberta para todos e todas.
Em uma atividade da Pastoral Universitária uma vez falamos sobre que da casa seríamos em nossa missão eclesial. Escolhi a janela, para fazer com que os que estão do lado de fora possam ver quão bela é a casa e que os que estão dentro possam contemplar ao Deus presente no que está fora. Uma espécie de ponte estética entre a Igreja e o mundo. Estou seguro de que aqui está a minha missão.
O trabalho que fazemos hoje na área de Comunicação da JMJ tenta levar a isso. Que muitos se surpreendam de quão belo é ser católico, do incrível que é entrar na amizade de Jesus de Nazaré, como é apaixonante conhecer a vida de tantos santos, que não tiveram medo de dizer sim a Cristo e da possibilidade de hoje também dizer-lhe sim.
David Selva, Costa Rica