Sínodo da Juventude: “Dê responsabilidade ao jovem, e ele será responsável”

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Sínodo da Juventude: “Dê responsabilidade ao jovem, e ele será responsável”

Qual a expectativa dos jovens para o Sínodo dos Bispos sobre a juventude que começa no próximo dia 3 de outubro? Neste artigo, o seminarista brasileiro Diego Costa Araújo, de 27 anos, exalta a potencialidade da juventude no coração da Igreja, a partir de sua experiência pastoral e vocacional.
Os olhares de todo o mundo se voltam a Roma para acompanhar o Sínodo Ordinário dos Bispos, herança do Bem-aventurado Paulo VI, a ser canonizado no próximo dia 14. Para a juventude, este sínodo tem uma maior importância: será o tema a ser discutido. A cabeça da Igreja, o Santo Padre, juntamente com seus primeiros colabores, os bispos, olharão para as realidades juvenis à luz do tema: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.
Como jovem e vocacionado ao sacerdócio, em uma pequena diocese na Região Metropolitana de São Paulo/Brasil, encontro nas atividades pastorais em nossas paróquias variadas expectativas sobre a missão e o futuro dos jovens na Igreja e na sociedade, iluminadas pela mensagem do saudoso e tão presente São João Paulo II em 1991, em sua passagem pelo estado do Mato Grosso: “os jovens são os primeiros protagonistas do terceiro milênio [...] são vocês que vão traçar os rumos desta nova etapa da humanidade” (Discurso 16/10/1991). Inserido neste terceiro milênio, em 2018, pergunto se estamos protagonizando da melhor forma e se nos veem como protagonistas. Vejo em nossas paróquias pouca confiança nestes fiéis de pouca idade e de muita fé. Nossas pastorais estão envelhecendo e só vemos o vigor da juventude em grupos de coroinhas, de jovens e com raras exceções, em nossa pastoral da Catequese. Procuro pelo rosto jovem da Igreja em seus conselhos econômicos, conselhos pastorais e até mesmo em pastorais sociais como a da saúde e da criança. Mas sem esta participação ativa em toda a Igreja, como podemos esperar algo dos jovens? Nossas expectativas se esvaziam em palavras e sonhos. A juventude anseia por um lugar na Igreja que não seja apenas em eventos de massa. Muitos dirão que são pouco responsáveis, imaturos. Eu sempre respondo dizendo: “Dê ao jovem, responsabilidade e ele será responsável”.
Vejo muitos jovens buscando a inserção em movimentos que outrora foram de jovens e que por muito tempo se fechou a eles. Que alegria ao ver o vigor dos jovens em Congregações Marianas, Apostolado da Oração, Movimento dos Vicentinos, Legião de Maria e tantos outros movimentos que eram tomados por adultos! Diante de uma sociedade onde jorram desesperança e valorização do materialismo, laicismo e do individualismo, nossos jovens protagonistas insistem por uma vida enraizada na fé, na espiritualidade e na vivência comunitária, a fim de fazer valer a escolha por eles que hoje a Igreja faz: “Eu vos escrevo, rapazes, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, conservais a mensagem de Deus e vencestes o Maligno” (1 Jo 2, 14). Suas vidas são verdadeiros Evangelhos na sociedade, são luz e sal. Lembro da mensagem do Papa Emérito Bento XVI no encontro com os jovens no Estádio do Pacaembú em São Paulo em 2007: “O Papa espera que saibam ser protagonistas de uma sociedade mais justa e mais fraterna, cumprindo as obrigações frente ao Estado: cumprindo suas leis; não se deixando levar pelo ódio e pela violência, sendo exemplo de conduta cristã no ambiente profissional e social, distinguindo-se pelas relações sociais e profissionais” (Discurso 10/05/2007). O desejo dos Papas é que sejamos protagonistas de nossa própria história e sociedade. Desejo partilhado por nós, jovens do mundo inteiro.
E se desejamos viver este modo de vida evangélico, desejamos antes, que a Igreja olhe para nós, jovens vocacionados, com um novo olhar. Queremos que seja lembrado que a missão da Igreja “é cuidar do nascimento, discernimento e acompanhamento das vocações, em particular, das vocações ao sacerdócio” (Pastores Dabo Vobis, 713). Que o cuidado com o discernimento vocacional não seja um pesado fardo, mas seja motivo de júbilo aos nossos pastores, que necessitam de jovens sacerdotes para o auxílio em seu ministério e que sejamos tratados com respeito e dignidade. Diante das diversas opções, que nos ajudem a descobrir que a nossa escolha fundamental deve ser por Jesus Cristo e sua Igreja. Que os bispos nos ajudem a descobrir a riqueza de nossa juventude e que nos ajudem a responder à questão: o que fazer com a vida?
Como um jovem seminarista no fim da etapa do discipulado, espero que o Sínodo apresente caminhos para um discernimento seguro e confiável. Que à luz do Espírito Santo, considerem todas as formas de vida e todas as vocações que a Igreja oferece, apoiando o jovem vocacionado em sua decisão. Que o mote seja sempre o “não tenhais medo” de São João Paulo II (Missa do início do Pontificado 22/10/1988), mas que esteja presente também na lembrança dos bispos sinodais o texto de São Mateus (19, 16-22). A pergunta do jovem que vai ao encontro de Cristo é a pergunta que todos os dias fazemos: “O que devo fazer para alcançar a vida eterna? ” Desejo que o sínodo nos ajude a sermos diferentes deste jovem e possamos, inspirados pelas palavras de São João Paulo II e iluminados pelo Espírito Santo, a não termos medo de escancarar as portas de nossos corações e seguirmos Jesus Cristo, num verdadeiro caminho de discipulado.
Que a mãe das Vocações, a Virgem Santíssima, interceda pelo próximo Sínodo dos Bispos, para que possam ouvir o clamor de uma juventude que sonha em ser membro verdadeiro da Igreja, honrando a fé que recebeu no batismo e que se faz viva em suas ações, desejosa de ser na Igreja o seu rosto jovem, e no mundo, a manifestação do rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã (Cf. Bento XVI 10/05/2007 – Estádio do Pacaembú – SP).
Diego Araújo Costa é seminarista da Diocese de Mogi das Cruzes (São Paulo, Brasil) e foi voluntário na JMJ 2013, no Rio de Janeiro.